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Friday, November 24, 2006

Livros que leio ou releio...

Recentemente criei um saudável, e recomendável hábito de ler, concomitantemente , dois ou mais livros. Além de ser a melhor terapia contra o mau humor e as viscissitudes da vida, é uma fonte inesgotável de conhecimento e auto-ajuda. Como minhas preferências literárias vão muito além da política, os assuntos que mais me atraem são espiritismo, esoterismo, biografias, ficção científica , suspense, sobrenatural e terror. Estou terminando de reler o excelente livro espírita "Somos Seis" , que é uma compilação de várias cartas psicografadas por Francisco Cândido Xavier, o inesquecível Chico Xavier de quando ainda caminhava entre nós , neste plano espiritual. São relatos emocionados de jovens e crianças que morreram na flor da idade e trazem notícias deles do "além túmulo". Dentre essas declarações duas são muito fortes enquanto conteúdo emocional e espiritual, que são de dois irmãos que morreram no incêndio do Edifício Joelma , e que inclusive serviram de inspiração para um outro livro(que resultou também num brilhante filme de cinema) chamado " Joelma-23º Andar".

A passagem do livro , na página 203 , que vou trancrever para vocês , é parte de uma das cartas enviadas pelo jovem Wady Abrahão Filho, que desencarnou em 06 de Julho de 1973 , aos 17 anos de idade e que apareceu em espírito para o seu pai que pensava muito em suicidar-se para reencontrá-lo :

" Assim meu pai e minha mãe, conversando com os familiares, falamos a todos e a todos nos dirigimos, solicitando esperança e paz. O caminho se desdobra à nossa frente. Saibamos trilhá-lo na posição de samaritanos uns dos outros. Quis JESUS, com expressiva lição, personalizar na parábola( do samaritano) a presença do irmão anônimo que devemos ser cada um de nós, nas estradas do cotidiano, porque todos teremos o instante da necessidade de braços fraternos que nos arranquem à sombra do desalento".

Outro livro que estou relendo , é as excelentes entrevistas do jornalista Mário Morel com LULA, para seu livro chamado "LULA O Metalúrgico / Anatomia de uma liderança"(1989). O trecho que vou transcrever é um relato emocionado de um fiel amigo e também líder sindical da época o Nelson Campanholo :

" NELSÃO :

O ferramenteiro Nelson Campanholo passou o dia inteiro dentro da sacristia da Igreja Matriz de São Bernardo do Campo. Não que fosse tão religioso. É que se saísse seria preso pelo DEOPS ou DOI-CODI, pois ninguém sabia direito quem prendia quem na última greve do ABC em 1980. Ele era o único diretor do Sindicato dos Metalúrgicos em liberdade.
_ Dom Cláudio Hummes( Hoje nomeado Prefeito da Santa Sé no Vaticano, como Cardeal Primaz) estava ao meu lado, ele percebeu. Ele falou para mim, bem mansinho, baixinho ao ouvido: ' ENTRA NA SACRISTIA E FICA LÁ QUE DEPOIS EU VEJO' .

Nelsão estava comandando o final de uma assembléia. O Sindicato estava interditado, Lula e toda a diretoria presos. Mas a greve continuava. Ele ia anunciar o último homem a falar e viu que o companheiro não estava. A Igreja cheia de operários e de policiais. Se ele encerrasse direto, seria preso. Porque sempre ficavam esperando ele voltar.

_Bom, eu desci no meio do pessoal e entrei na sacristia. Fiquei olhando pela fresta. Dentro de uns vinte minutos a Igreja estava vazia, e só tinha uns senhores de roupa esporte e óculos escuros. E nada de esse pessoal sair.
_Dom Cláudio Hummes ficou esse tempo todo lá dentro com você ?

_Não. Ele desceu no meio do povão e ficou cuidando do pessoal. Eu acho que esqueceu de mim, no meio daquela bagunça toda de polícia lá fora.
Por volta das quatro da tarde passou uma senhora, esposa do Sacristão Djalma.

_Eu chamei e ela ficou meio com medo, assim meio apavorada. Eu falei ' Olha, chama o Djalma pra dar uma chegadinha aqui'.
O Sacristão Djalma explicou ao grupo de senhores de óculos escuros que tinha que fechar a Igreja. Eles saíram e ficaram na porta principal. Nelsão vestiu a japona do sacristão e saiu pelos fundos. Não foi preso. Continuou a dirigir as assembléias e a ele coube a parte mais difícil, mais dolorosa : no dia 11 de Maio ele deu a ordem que ninguém gostaria de dar na greve de 80. A volta ao trabalho.

Não era a primeira vez que Nelson tinha tristezas. Sua família era o que hoje se chama de bóia fria . Trabalhadores rurais vagando para cima e para baixo. Tomavam conta de propriedades com enormes plantações de café. às vezes vinha a geada. Ele viu o pai descer da plantação chorando, tinham perdido quatro anos de trabalho.

Ele também viu os corpos da primeira esposa de LULA e seu filho natimorto na mesa do necrotério.

_Aí a enfermeira nos disse - eram duas da tarde -' Ela já foi para o necrotério' . Eu desci com o LULA, era um Hospital muito grande, o Hospital Modelo , na Rua Tamandaré, e ele parou na porta do necrotério. Eu entrei , olhei e vi a esposa dele. Tava lá, e o menino do lado. Mas DEUS me ajudou naquela hora, porque eu pensei, se eu falar que eles estão aqui - o LULA estava a seis metros de mim - não sabia a reação dele, nem a minha também , porque eu estava emocionado. Mas DEUS foi tão grande comigo que naquela hora Ele me ajudou. Eu saí e falei :
'_ Puxa vida LULA, não chegou ainda . Aqui embaixo é outra pessoa.' Você sabe quando uma pessoa acompanha a outra , assim na maior tranquilidade ? Ele me acompanhou . Rapaz, ainda me lembro como se fosse agora e me dá vontade de chorar quando eu falo essas coisas.

Isto que eu li e transcrevi me fez crescer muito mais como ser humano. Espero tê-los ajudadop também , de alguma forma !


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